O Comitê Gestor da Convivência com a Seca, criado pelo Governo de Minas para desenvolver ações continuadas para minimizar o problema nas regiões Norte e Nordeste do Estado, se reuniu nessa segunda-feira (8), em Belo Horizonte, para dar início ao planejamento estratégico para o ano de 2010.
Durante a reunião, cada órgão componente do Comitê apresentou ações preventivas e emergenciais que poderá desenvolver no período de estiagem, já que, segundo as informações dos serviços de meteorologia, o período de estiagem neste ano poderá se configurar com forte intensidade e gravidade inusitada. “Faz-se necessário o estabelecimento das bases para um planejamento estratégico de ações para o enfrentamento dos efeitos da seca, o quanto antes”, alertou a secretária Elbe Brandão, coordenadora do Comitê.
O secretário executivo da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), tenente coronel Eduardo César Reis, apresentou algumas possíveis linhas de ação propostas pela Cedec, que incluem distribuição de cisternas de lona e cestas básicas e fornecimento de caminhão pipa para os 188 municípios das regiões Norte e Nordeste de Minas. “Hoje já são 67 municípios atingidos pela seca e a previsão é de que este número aumente para 137, o que exige medidas imediatas”, afirmou.
O gerente regional da Emater-MG de Montes Claros, Ricardo Demicheli, apresentou o sistema de monitoramento dos efeitos da seca que está sendo utilizado pela empresa, que aliado ao Relatório Agroclimatológico, tem se apresentado como uma ferramenta ágil e eficaz no levantamento das perdas na lavoura e na pecuária causadas pela falta de chuvas. “Podemos, assim, incentivar os produtores a se prevenir para reduzir os prejuízos, com a reserva de alimentos, por exemplo, além de mostrar que é possível aumentar a disponibilidade de água com ações de preservação das bacias, proteção de nascentes, etc”, conclui.
A representante da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru) garantiu que até o final do mês de março, o sistema de informações de convivência com a seca, estará concluído e será disponibilizado para o Comitê. Esta será uma ferramenta essencial para elaboração de um plano de ação para a convivência com a seca, de forma a possibilitar a convergência de ações, cruzamento de dados e eficiência na alocação de recursos.
Ações continuadas
Algumas ações empreendidas em 2008 e 2009, como a construção de barramentos, perfuração de poços tubulares, construção de cisternas para captação de água de chuva e a construção de sistemas simplificados de abastecimento de água, terão continuidade. No período de 2008/2009 foram construídos 35 barramentos em 16 municípios, que estão beneficiando 1800 famílias. Segundo o diretor Técnico da Ruralminas, Amilton Reis, até junho de 2010, está prevista a construção de outros 12 barramentos e 171 bacias de captação.
A Copasa e a Cemig propuseram uma ação conjunta, no sentido de identificar e avaliar, dentre os 4500 poços tubulares já perfurados, aqueles que precisam e podem ser equipados e buscar recursos do Programa de Eficiência Energética, para utilização de energia solar no seu funcionamento.
Centro de Estudos para a Convivência com a Seca
A professora da Unimontes, Anete Maria Pereira, que está coordenando a implantação do Centro de Estudos para a Convivência com a Seca, pela universidade, fez uma explanação sobre os estudos e pesquisas que já estão sendo realizados pelo Centro, e apresentou um site que foi criado (www.semiarido.unimontes.br) onde estudantes, mestres e doutores da universidade já estão disponibilizando estudos, teses, projetos, livros e notícias sobre o tema da convivência com a seca e a proposta é que, em breve, com a conclusão do Sistema de Informações da Seca, todas estas informações e solução sejam compiladas e disponibilizadas para todos.
O objetivo do Centro de Estudos é ser um pólo de inovação e de referência para o desenvolvimento de estudos e tecnologias para facilitar o enfrentamento e o convívio com o clima semiárido. Foram feitos investimentos de R$ 1 milhão, pelo Governo de Minas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), em Montes Claros.
A secretária Elbe Brandão alertou a todos os membros do Comitê sobre a importância de traçar metas e agir o mais breve possível na tentativa de minimizar os prejuízos para a população, e para tanto já sugeriu uma nova reunião, ainda este mês, para dar continuidade, juntamente com a secretaria de Planejamento e Gestão, à elaboração do Planejamento Estratégico do Comitê para 2010. “A seca é uma realidade para o sertanejo e as políticas públicas têm que ser permanentes e prementes”, conclui.
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