A Comunidade de Araçás, em Inimutaba, na Região Central de Minas, hoje planta mais milho, cana e feijão. Isso porque a Associação Comunitária recebeu recursos da ordem de R$ 87.886,19, para aquisição de um trator, uma grade aradora, uma carreta de quatro rodas e um sulcador. A mecanização agrícola beneficia, diretamente, 60 famílias.
A realidade do povoado quilombola da Fazenda Santa Cruz, no município do Serro, também mudou. Com investimentos de R$ 90 mil, foi inaugurada uma passarela, construída sobre o Rio Jequitinhonha, beneficiando 43 famílias da região. O povoado sofria com a época das chuvas, em que a cheia do Rio Jequitinhonha deixava os moradores ilhados, sem alimentos ou possibilidade de assistência.
A Associação dos Moradores das Comunidades de São Francisco e Lamarão, de Grão Mogol, é outra entidade que recebeu recursos de R$ 56 mil. O valor foi utilizado para implantar uma rede de abastecimento de água, beneficiando 51 famílias, onde se achava impossível que a água chegasse.
Uma fábrica de rapadura, da Associação de Desenvolvimento Comunitário de Água Branca, em São João do Paraíso, também está transformando a vida de 36 famílias. Com investimentos de R$ 65 mil a comunidade pôde dar início às atividades e hoje é modelo de sustentabilidade.
Esses casos são apenas alguns dos exemplos bem sucedidos da atuação do Projeto de Combate à Pobreza Rural (PCPR/MG), que financia subprojetos de natureza produtiva, social e infraestrutura básica nos 188 municípios da região Norte de Minas e vales do Jequitinhonha e Mucuri.
Nilton José de Carvalho, agricultor de Inimutaba, da comunidade de Araçás, conta que a aquisição do trator com os recursos do PCPR facilitou o plantio e ele duplicou a produção. "Estamos no caminho certo, o povo está muito animado. Antes, os proprietários de tratores priorizavam os grandes produtores, deixando os pequenos no prejuízo. Muitas vezes a gente acabava perdendo o tempo do plantio, porque não tinha o trator. Agora isso não acontece mais", destaca. Nilton mora com a esposa e o pai, Antônio Pereira de Carvalho, 91 anos, o morador mais antigo da comunidade, que também está satisfeito. "Esses equipamentos estão ajudando a aumentar o ‘prato na mesa’ das pessoas. Tudo vai muito bem, o tratorista é caprichoso, segue o horário. O trator é um braço de lavoura muito bom", comenta.
O próprio tratorista da Associação, Geraldo Magela das Neves Oliveira, casado, pai de um filho, morador da comunidade, relata que conseguiu aumentar sua renda mensal em 20% e também apostou no aumento da sua produção, ampliando a plantação de feijão em 11 kg/mês. "Em época de plantio a demanda é maior e o pessoal solicita a gente mesmo. Hoje tenho mais trabalho, uma renda melhor e, com isso, até investi mais na minha plantação", afirma.
O PCPR é uma iniciativa do Governo de Minas, implementado por meio do Acordo de Empréstimo, assinado em 2006 com o Banco Mundial, no valor de US$ 70 milhões, dividido em 2 etapas. A execução do projeto tem à frente a Secretaria de Estado Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e do Norte de Minas (Sedvan) e o Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene).
Desde o início do projeto, já foram assinados 1.668 convênios, totalizando R$ 82,8 milhões investidos, beneficiando 91,8 mil famílias, com a aplicação de 94% dos recursos do Acordo de Empréstimo. Destes, mais de 50% já estão concluídos e funcionando a pleno vapor. Uma marca creditada ao modelo de gestão inovador do PCPR/MG, com as próprias comunidades indicando os subprojetos e participando de decisões no processo de execução, o que permitiu estimular a organização social.
Apenas em 2009, cerca de 12 mil famílias foram beneficiadas, com recursos da ordem de R$ 12,3 milhões e implantação de 287 subprojetos comunitários que estão contribuindo para a redução da pobreza rural, por meio da geração de trabalho e renda e da melhoria da qualidade de vida e do bem-estar das famílias.
Organização social é fortalecida
De acordo com a secretária de Estado Extraordinária Elbe Brandão, além de promover a redução da pobreza rural, o fortalecimento das Associações Comunitárias e dos Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS) é um grande diferencial. "A permanente participação popular promove o associativismo local, incentivando o exercício da cidadania ativa e a desejada descentralização por meio da interação entre o poder público municipal e a sociedade civil", enfatiza.
Para o diretor geral do Idene, Walter Adão, alcançar esta marca é uma prova de que o Governo do Estado apostou em uma aliança para o desenvolvimento dessas regiões que deu certo. "Criamos um cenário favorável, de facilidades econômicas que criam oportunidades reais para a população, e também percebemos que o PCPR está trazendo o resgate da dignidade para as pessoas, melhores condições de trabalho para o homem do campo e uma sensação de pertencimento, que estava um pouco esquecida" afirma.
Em 2010 o PCPR/MG deverá ser incluído no âmbito do Programa de Parceria para o Desenvolvimento de Minas Gerais II – Financiamento Adicional, e estima-se a implantação de 421 subprojetos comunitários, beneficiando cerca de 17 mil famílias, com recursos da ordem de aproximadamente R$ 20 milhões.